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A curva

Flaviane Scopel dá o recado

Bom, vamos lá.

Só Letrando

Só LetrandoO raio X da escrita diária

25/03/2020 16h56Atualizado há 1 semana
Por: Gideone Rosa
Fonte: Flaviane Scopel
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Flaviane Scopel é professora e advogada atuante
Flaviane Scopel é professora e advogada atuante

Não é sobre o pronunciamento do presidente, porque ainda ontem pela manhã um grupo se reuniu para buscar soluções, porque talvez alguns não tenham percebido, mas o cenário que se desenha é assustador.

Vamos fazer uma pequena conta: em Jataí, por exemplo, tivemos apenas um caso. Isolamento social por quinze dia. Mas vamos supor que chegue uma outra pessoa contaminada, como vai ser? Isolamento de mais quinze dias? Até quando?

Lembrando que esse isolamento foi fundamental porque ainda nos faltavam muitas informações. Era pra analisarmos a situação, e a decisão foi mais que acertada.

Na China começaram novos surtos. E sabem por quê? Porque somente quando a maioria da população contrair o covid19 teremos imunidade. E ao que tudo indica ele será como as outras gripes, sazonal, voltará eventualmente.

Achatamos a curva. Perfeito, conseguimos! Mas de que tamanho vai ficar? Se precisamos pegar para ter imunidade, pegando a conta gotas, por quantos anos (anos mesmo!), essa situação vai perdurar?

O Brasil sempre foi um país de sorte. E digo SORTE, em letras garrafais, porque tivemos a oportunidade de saber como o vírus se comporta, quais os grupos de risco, como evitar. Sabendo disso, sabemos os cuidados que devemos ter.

Em sendo assim, ao invés de isolarmos todos, vamos proteger os grupos de risco, que já foram identificados! Ora... estamos aí com uma população produtiva fechada dentro de casa, podendo trabalhar e produzir!

Sim, para a maioria os sintomas serão como o de uma gripe e muitos serão até assintomáticos. Vejam o caso da médica em Anápolis, que pegou o vírus numa viagem à Itália, estava assintomática e resolveu fazer o exame. Não se sabe quantos ela contaminou, porque nunca apresentou os sintomas. No Brasil o número de infectados é bem maior, porque muitos não manifestam nada.

A questão é: sabemos O QUÊ é preciso fazer, que é isolar e proteger os grupos de risco, mas a pergunta é COMO? Então é isso que está sendo estudado, como proteger essas pessoas.

Muitos estão agindo como se estivessem de férias. Dando festas, aproveitando. Para trabalhar concordam com isolamento, mas se é pra festa, isso é bobagem.

Os caminhoneiros querem parar por não estarem encontrando restaurantes abertos, borracharias, postos... não se falava em desabastecimento, agora parece ser uma realidade. Não causado pelo vírus, mas por decisões extremamente radicais.

“Ah, mas você só está pensando em dinheiro!” Bom... a você que pensa assim, só posso te dizer que você com certeza é um privilegiado por não precisar de dinheiro para sobreviver.

Se continuarmos dessa forma teremos depressões, suicídios, crises de ansiedade, sistema de saúde em colapso. Aliás, o dinheiro público vem da arrecadação, fruto do trabalho de cada um. Sem trabalho, sem arrecadação. Funcionários públicos deixarão de receber, então não, não estamos falando apenas do setor privado.

Vou citar dois exemplos: hotel e restaurante. São dois setores onde não é possível recuperar o dia perdido. Se um quarto não é ocupado hoje, amanhã já não se recupera. Se a comida de hoje não é vendida no restaurante, amanhã será outra comida. São apenas dois exemplos, mas que refletem muitas realidades. O passageiro que eu deixo de carregar, a entrega que deixo de faz, o jornal que deixo de vender, porque amanhã a notícia será outra.

Precisávamos desse tempo, desse isolamento temporário, para sabermos o que fazer. Mas não podemos usar um remédio pior que a doença.

E sim, a combinação de medicamentos está sendo testada com sucesso! É de se comemorar, acreditar, e não de se torcer contra, como tanto tenho visto.

Aliás, é nesses momentos que conhecemos o melhor e o pior do ser humano. Se aproveitar dessa situação para fazer politicagem com certeza está incluso no grupo daquilo que pode ser o pior. Que essas pessoas não nos representem futuramente, porque as pessoas são o que são, e precisamos de humanidade, empatia!

Vamos buscar meios de proteger nossos idosos, as pessoas do grupo de risco. E vamos VIVER!

E uma pergunta: se tudo voltasse a funcionar hoje, você estaria pronto? Aproveitou para colocar seu trabalho em dia, para fazer na sua casa coisas que há tanto deixou de fazer por falta de tempo? Se não fez nada disso, e quer que tudo continue parado, talvez sua preocupação não seja com o vírus.

Só mais uma observação: não estou dizendo para voltarmos, mas sim para buscarmos meios para tal... saber que cedo ou tarde isso vai acontecer, seguindo o que for determinado por nossas autoridades, e fazendo nossa parte. A questão é que caso voltemos com nossas rotinas, de forma gradativa, não haja pânico, porque com certeza muitos dirão para fazer o contrário.

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