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Portugal mais eficaz com menos dinheiro: mortes evitáveis abaixo da média europeia

Em alguns setores os resultados poderiam ser mais positivos gastando menos de 855 euros por pessoa

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PortugalidadeCuriosidades sobre a cultura portuguesa, notícias, caráter de um povo, suas histórias e amor por uma terra, uma terra carinhosamente chamada de Terrinha.

04/12/2019 09h53
Por: Gideone Rosa
Fonte: Público.PT
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Portugal consegue, neste domínio, ficar à frente de países como a Áustria, a Dinamarca, a Alemanha e o Reino Unido / Foto: Divulgação
Portugal consegue, neste domínio, ficar à frente de países como a Áustria, a Dinamarca, a Alemanha e o Reino Unido / Foto: Divulgação

Nalgumas áreas da saúde conseguimos ter melhores resultados gastando menos 855 euros por pessoa, destaca relatório da Comissão Europeia. Mas continuamos a gastar pouco dinheiro com a prevenção, apenas 36 euros per capita por ano.

Por Alexandra Campos

Com muito menos dinheiro, menos 855 euros per capita por ano do que a média dos países da União Europeia (UE), Portugal consegue ter menos mortes por causas evitáveis e tratáveis, como cancros do pulmão e do fígado, acidentes e doenças relacionadas com o álcool, revela um relatório da Comissão Europeia.

Os bons resultados de Portugal nas mortes evitáveis destacam-se no documento que inclui o perfil de saúde de 30 países (28 da UE, mais a Islândia e a Noruega) e que faz parte do relatório sobre a Situação da Saúde na União Europeia 2019, elaborado pela Comissão Europeia com a colaboração da OCDE e que será apresentado na quinta-feira em Lisboa. Portugal consegue, neste domínio, ficar à frente de países como a Áustria, a Dinamarca, a Alemanha e o Reino Unido, numa lista em que a Lituânia, a Letónia e a Hungria ocupam os últimos lugares, com mais do dobro de mortes evitáveis e tratáveis do que a média dos países analisados.

Mas Portugal poderia exibir melhores resultados, se eventualmente aumentasse o dinheiro que investe na prevenção. Neste indicador não ficamos bem no retrato europeu. Gastamos menos quase metade do valor que a média dos países analisados investem em prevenção, apenas 1,8% do total das despesas em saúde, cerca de 36 euros per capita, face aos 3,2% da UE. A prevenção da doença tem três dimensões, incluindo a primária (promoção da saúde e intervenção antes que a patologia surja), a secundária (exames para detectar doenças em fases precoces, por exemplo mamografias) e a terciária (tratando as doenças após o diagnóstico, parando a progressão da patologia, por exemplo com reabilitação ou quimioterapia). 

O perfil de Portugal traçado neste relatório indica, por outro lado, que os portugueses continuam a gastar muito mais dinheiro do seu bolso (out of pocket) com a saúde, no ambulatório (por exemplo em consultas e exames no privado e com medicamentos). E enfatiza que “o elevado nível de despesas não reembolsadas”, que constituem agora 27,5% do total das despesas de saúde, fica “bastante acima da média da UE (15,8%)”. Esta “dependência excessiva” dos pagamentos directos para financiar o sistema de saúde “pode minar a acessibilidade e contribuir para empobrecer os agregados familiares”, avisa.

Em 2017, “a comparticipação pública nas despesas com a saúde era de 66,3 % do financiamento total da saúde, consideravelmente abaixo da média da UE de 79,3 %”. Um valor que a Comissão Europeia imputa em parte à redução do financiamento público da saúde durante o programa de ajustamento económico (2011 a 2014). Entre 2010 e 2017, as despesas de saúde diminuíram, em percentagem do PIB (Produto Interno Bruto), praticamente um ponto percentual, enquanto a despesa pública em saúde diminuiu perto de três pontos percentuais (de 69,8 % para 66,4%)”.

Outra boa notícia é a de que as barreiras no acesso à saúde estão a diminuir em Portugal, mas ainda há entraves, particularmente para os habitantes de áreas rurais e continuam a existir grandes disparidades entre as pessoas com diferentes escalões de rendimentos.

Foto:Morar em Portugal

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