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Economia Artigo

As dores do crescimento

Temos o Código Florestal mais restritivo do mundo.

26/04/2021 11h44
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Por: Gideone Rosa Fonte: CCAS
Nós sabemos que o Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente, suas reservas naturais; temos o Código Florestal mais restritivo do mundo. O mundo também sabe. Mas, no jogo de gigantes, isso não tem sido lembrado.
Nós sabemos que o Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente, suas reservas naturais; temos o Código Florestal mais restritivo do mundo. O mundo também sabe. Mas, no jogo de gigantes, isso não tem sido lembrado.

...E o mundo também sabe

*Por Ciro Rosolem, vice-Presidente de Comunicação do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e Professor Titular da Faculdade de Ciências Agrícolas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (FCA/Unesp Botucatu)

O final de semana passado nos trouxe duas manchetes sensacionais - no sábado: “EUA cobram ação imediata do Brasil contra desmatamento”; e, no domingo: “Boom de commodities deve trazer de volta superávit nas contas externas após 14 anos”.

Nós sabemos que o Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente, suas reservas naturais; temos o Código Florestal mais restritivo do mundo. O mundo também sabe. Mas, no jogo de gigantes, isso não tem sido lembrado. Fotos do desmatamento são mais impressionantes, independentemente de seu real significado nas emissões mundiais de carbono. Pouco se lê sobre as emissões de Pequim, Nova Iorque ou Paris ou sobre as emissões das usinas termoeléctricas mundo afora. É que o foco real não é esse; e sim o incômodo econômico que o Brasil causa, principalmente nos Estados Unidos e na Europa. Mais eficiência aqui, maior necessidade de subsídios lá.

Vamos lembrar de um documento um pouco antigo, publicado em 2011: Farms Here, Forests There: Tropical Deforestation and U.S. Competitiveness in Agriculture and Timber (Fazendas Aqui, Florestas Lá: Desmatamento Tropical e Competitividade na Agricultura e Atividade Florestal Americana. Trata-se de um relatório preparado por Shari Friedman, executiva ligada a organizações que se ocupam das mudanças climáticas. O documento foi financiado pela National Farmers Union (Associação Nacional de Fazendeiros) e pela ONG Avoided Deforestation Partners (Parceiros contra o Desmatamento). Encontrado em: http://assets.usw.org/our-union/pulp-paper-forestry/farms-here-forests-there-report-5-26-10.pdf.

Muito bem, já se falou muito deste documento publicado há dez anos. Mas está mais atual que nunca. Algumas das principais conclusões:

1.    “Operações agrícolas ilegais e não sustentáveis estrangeiras estão destruindo as florestas tropicais, emitindo mais carbono que todos os carros, caminhões, tratores e equipamentos agrícolas combinados”. Trata-se de um evidente exagero. Não é verdade. A operação agrícola brasileira está longe de ilegal, e cada vez mais longe de insustentável.

2.    “Os produtos agrícolas e florestais do desmatamento estão deprimindo os preços internacionais, prejudicando economicamente os produtores americanos”.  Vejam bem: nosso crescimento agrícola não ocorreu com desmatamento, outra conclusão errada do documento.

3.    “A proteção das florestas úmidas tropicais através de políticas climáticas resultará em aumento de faturamento entre 196 e 267 bilhões de dólares para os agricultores americanos”. Entenderam??

Vamos agora pegar o exemplo da soja: em 2011, o Brasil produzia, aproximadamente, 72 milhões de toneladas e os Estados Unidos, aproximadamente, 90 milhões de toneladas. Em 2020, o Brasil produziu 124,8 milhões de toneladas, e os Estados Unidos 96,7 milhões de toneladas. Isso dá uma dimensão da preocupação, não só americana, mas de outros produtores com o crescimento da agricultura brasileira. Sem desmatar.

Ocorre ainda que os agricultores europeus, e principalmente os americanos, têm lobbies fortíssimos junto aos governos. Então, é necessário achar alguma coisa ruim no Brasil. Infelizmente temos tido problemas com queimadas, por diversos motivos. Tem sido nosso calcanhar de Aquiles. Não interessa quanto de verdade tem na importância ou tamanho das queimadas, o problema real não é esse.

Então, vemos nossa soberania ameaçada, todos querendo “segurar” nossa agricultura por motivos disfarçadamente ambientais. Já tivemos barreiras sanitárias e outras. Hoje é ambiental.

Então, o problema é político, mas, principalmente de comunicação de massa. Ainda temos muitos brasileiros a serem convencidos da eficiência ambiental de nossa produção, mas isso não é suficiente. Essa comunicação também precisa ser exportada. Crescer dói, como dizia minha avó.

Sobre o CCAS

O Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicilio, sede e foro no município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados à sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõem a apresentar fatos concretos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

A agricultura, apesar da sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas, não condizentes com a realidade. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa seja colocado à disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça. Mais informações no website: http://agriculturasustentavel.org.br/. Acompanhe também o CCAS no Facebook: http://www.facebook.com/agriculturasustentavel.

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