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Mais comuns do que se imagina

Hérnias abdominais levam a complicações sérias e até à óbito, se não tratadas

18/12/2020 09h22
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Por: Gideone Rosa Fonte: ComSemFronteiras
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Segundo estimativa da Sociedade Brasileira de Hérnia e Parede Abdominal, a doença, que é tratada somente por meio de cirurgia, afeta entre 20% e 25% da população brasileira.

É comum encontrarmos pessoas que já foram acometidas ou já ouviram falar da famosa hérnia de disco que ocorre entre os discos intervertebrais da coluna vertebral, mas a maioria desconhece as hérnias abdominais, que é também uma patologia de grande ocorrência no Brasil. Segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Hérnia e Parede Abdominal, o problema afeta de 20% a 25% da população adulta brasileira. “Uma hérnia abdominal ou hérnia da parede abdominal consiste numa lesão causada por uma abertura ou região de fragilidade na parede abdominal, através da qual ocorre uma protrusão do conteúdo abdominal”, explica o cirurgião gastro-robótico Adilon Cardoso Filho (CRM GO 9616).

Como o próprio nome já demonstra, as hérnias abdominais ocorrem na região do abdômen e próximo à virilha e se dividem em três principais grupos: umbilicais, inguinais e femorais. A hérnia inguinal, que ocorre na região da virilha, está entre as doenças que mais afastaram os brasileiros dos postos de trabalho em 2017. Segundo dados da Secretaria da Previdência do Ministério da Fazenda, foram 42.154 solicitações de auxílios-doença previdenciários em virtude de tal patologia. Estima-se que são feitas 350 mil cirurgias de hérnia inguinal por ano no Brasil.

Segundo o cirurgião Adilon Cardoso Filho, as hérnias abdominais podem ser congênitas, ou adquiridas. “Geralmente, as mais comuns são as hérnias congênitas, aquelas que as pessoas já nascem com ela. São as inguinais (uni ou bilateral) e as umbilicais, que ocorrem com frequência em recém-nascidos”.

Já as adquiridas, conforme explica o médico, podem ocorrer por esforço muscular excessivo, onde você tem um afastamento das paredes musculares que gera um conteúdo herniário no organismo que saí por um orifício ou defeito na parede abdominal. “Temos também as hérnias incisionais ou pós-operatórias, que são aquelas que ocorrem quando a pessoa faz uma cirurgia, e por um motivo genético, nutricional, por esforço indevido, ou alguma infecção, a sutura que é feita provoca uma abertura e com isso não há uma cicatrização adequada, gerando assim uma hérnia”, esclarece o médico.

Graves complicações

Além das dores intensas, as hérnias abdominais podem levar a duas sérias complicações, que se não tratadas com urgência podem levar o paciente ao óbito. De acordo com Adilon Cardoso, quando a hérnia é formada pela camada de gordura que temos por cima dos intestinos, essa porção de tecido adiposo que sai por esse defeito na parede abdominal cria um processo isquêmico em virtude desta obstrução que surge. Ou seja, o sangue não chega ao tecido que irá necrosar ou morrer.

Outra complicação também muito grave é quando o intestino “vaza” para dentro deste defeito herniário na parede abdominal. “Temos então duas sérias complicações. Além do quadro de isquemia, há então um processo obstrutivo do órgão. Ocorre o travamento do conteúdo intestinal, o que leva o paciente a ter distensão e rompimento da parede do intestino, translocação bacteriana e outras complicações”, afirma Adilon.

De acordo com o cirurgião, os quadros de hérnias abdominais podem sim levar a um grande risco de morte, se os mesmos não forem tratados adequadamente e a tempo. “Essas complicações advém do tamanho da hérnia, de onde ela está localizada e há quanto tempo existe no organismo. Dependendo do tipo e do estágio da hérnia, lidamos com situações isquêmicas e infecciosas, e estes dois quadros combinados podem ser sim muito grave”, afirma o médico.

Obesidade

Dentre os fatores de risco para as hérnias abdominais temos o próprio envelhecimento do organismo humano, a realização de exercícios físicos de maneira incorreta ou carregamento de peso excessivo, e a obesidade, que inclusive pode esconder as hérnias. “Nem toda hérnia apresenta protuberância externa. Devemos lembrar que hoje estamos lidando com uma população com altos índices de obesidade e isso pode fazer com que o excesso de gordura ou de tecido adiposo esconda essas hérnias”, explica o cirurgião gastro-robótico.

Adilon Cardoso Filho afirma ainda que há também as hérnias internas, que não são visíveis nem em pacientes obesos e nem nos magros. “As hérnias diafragmáticas e lombares também não costumam apresentar protuberância externa. Por isso, quando houver dores intensas nessas regiões que não sejam solucionadas com tratamento medicamentoso, a indicação é procurar o serviço médico com urgência”, avisa.

Só cirurgia

Os tratamentos para todos os tipos de hérnia são  necessariamente cirúrgicos, segundo explica o médico Adilon Cardoso Filho. “Não há nenhuma solução medicamentosa para os casos de hérnia abdominal. A hérnia nada mais é do que um defeito anatômico, ou seja, algo que está fora do lugar no corpo, então a indicação é sempre a cirurgia”, afirma.

Mas o médico salienta que dependendo da condição de saúde do paciente, a operação pode não ser recomendada. “Quando a pessoa tem um quadro de saúde que pode trazer complicações durante a cirurgia, como pacientes  com cardiopatias graves, ou sindrômicos, pacientes muito idosos, essa operação pode não ser recomendada. Mas essa definição em fazer ou não a cirurgia, deve ser avaliada entre o médico cirurgião, o paciente e outros colegas médicos de outras especialistas”, explica.

Dr Adilon Cardoso Filho   O autor

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